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Marketplaces

Como crescer no site próprio e no marketplace sem canibalizar

Thiago Corrêa defende que marketplace pode financiar a construção do site próprio, desde que você trate o canal como caixa, vitrine e laboratório de produto. O episódio mostra como integrar canais, preservar posicionamento e usar o ganho de caixa para fortalecer mídia, conteúdo e CRM.

Por Equipe W38 min de leitura

Este texto nasceu do Ecommerce Podcast #13, com Thiago Corrêa (Vida Costeira). Os números e casos citados abaixo são falas do episódio.

O ponto de partida que muda a leitura

Quando você escuta alguém dizendo que marketplace derruba marca, tira foco do site ou vira uma dependência ruim, a tese parece simples. O problema é que a operação real costuma ser mais dura do que a tese. No episódio, Thiago Corrêa descreve exatamente esse choque entre ideia e prática.

Na primeira empresa em que ele entrou, o site exigia investimento antes do retorno. Era preciso desenvolver produto, colocar dinheiro em mídia, esperar a venda acontecer e depois receber. Para uma operação que ainda não tinha base B2C validada, isso pesava demais no caixa. A virada veio quando os marketplaces começaram a entrar na rotina da empresa e passaram a sustentar a operação enquanto o site próprio ainda estava sendo entendido.

Mais tarde, já na Vida Costeira, ele repetiu a lógica com mais convicção. A empresa tinha site, mas precisava de faturamento rápido. A escolha foi integrar todos os marketplaces disponíveis naquele momento. Segundo ele, em dois meses a operação passou a faturar o que não faturava em um ano. O ponto aqui não é transformar marketplace em religião. O ponto é entender em que papel esse canal entra quando você ainda está construindo base, marca e previsibilidade.

Se você lê o caso com atenção, percebe que Thiago não trata marketplace como atalho mágico. Ele trata como uma peça de caixa, validação e exposição. Isso muda completamente a forma como você deveria entrar.

O que o marketplace resolve no começo

No relato do episódio, o marketplace resolveu três dores ao mesmo tempo.

Primeiro, trouxe dinheiro mais cedo. Thiago fala de um contexto em que o site consumia verba antes de devolver resultado. O marketplace ajudou a segurar as contas da empresa e deu fôlego para continuar investindo.

Segundo, ajudou a entender produto e cliente. A operação ainda não sabia com clareza quem era a persona nem quais itens teriam melhor resposta. Estando em vários canais, ficou mais fácil observar quais produtos giravam melhor, em que ambiente eles performavam e que repertório de demanda fazia sentido.

Terceiro, serviu como vitrine e prova social. No episódio, Thiago diz que o marketplace funciona como um shopping. Quando o consumidor encontra a sua marca ali, ele ganha um sinal de confiança. Depois, ele pode pesquisar o site próprio, comparar e decidir comprar de você com mais segurança.

Isso explica por que ele discorda da ideia de que marketplace só serve para quem quer volume barato. Na visão dele, o canal pode ajudar inclusive na construção da marca, desde que você não entre em guerra com o seu próprio site.

Como aplicar sem criar conflito entre canais

O caso do episódio sugere um caminho prático. Se você quer usar marketplace para fortalecer o site, e não para sabotá-lo, precisa seguir uma lógica de integração, não de improviso.

1. Entre com uma função clara

Você não deveria abrir marketplace só porque todo mundo abriu. No caso do Thiago, havia um motivo objetivo: gerar caixa, acelerar leitura de produto e ganhar presença enquanto o site amadurecia. Se você entra sem esse papel definido, tende a cobrar do canal o resultado errado.

Marketplace pode ser canal de faturamento, aquisição indireta de confiança e validação de portfólio. Ele não precisa substituir o site. Ele precisa ajudar o seu ecossistema a rodar.

2. Valide por produto, não por opinião

Quando o host pede “os cinco melhores marketplaces de moda”, Thiago evita cravar um ranking fixo. A resposta dele é direta: entre em todos os que fizerem sentido e valide, porque o produto que vai bem em um pode não ir bem em outro.

Esse ponto é mais sério do que parece. Muita empresa escolhe canal como se estivesse escolhendo uma verdade definitiva. O episódio mostra outra lógica: canal é teste vivo. Se a estrutura permitir, você integra, observa, mantém presença e aprende com o comportamento real.

3. Use o caixa para fortalecer ativos próprios

Uma das ideias mais úteis do episódio está em como o dinheiro do marketplace conversa com o site. Thiago afirma que os dois canais rodando ao mesmo tempo se complementam. O faturamento que entra no marketplace ajuda a sustentar mídia, influenciadoras, fotos melhores e outros investimentos que fortalecem a marca fora dele.

Ou seja: o marketplace não precisa ser o destino final do cliente. Em muitos casos, ele financia a construção dos ativos que vão melhorar o seu site e ampliar a sua base direta.

4. Preserve o posicionamento de preço

Thiago também alerta para um cuidado importante. Você não deveria criar uma guerra de preço com o seu próprio e-commerce. Isso pede alinhamento entre marketing, tráfego e posicionamento.

Na prática, o marketplace amplia alcance e confiança, mas o site precisa continuar fazendo sentido para o cliente. Se o consumidor encontra a marca no marketplace, visita o site e percebe coerência, o canal vira ponte. Se ele encontra bagunça de preço e mensagem, o canal vira ruído.

5. Trate relacionamento como parte da operação

No episódio, uma das partes mais fortes do caso é a insistência do Thiago em visitar marketplaces, conversar com times dos canais, entender a estrutura deles e perguntar que produto estava faltando ali. Isso não é detalhe comercial. Isso virou parte da construção da operação.

Em vez de esperar a venda “cair no colo”, ele usou o relacionamento para aprender, desenvolver produto e ganhar relevância dentro dos canais. Se você ignora essa camada, entra no marketplace como mais um vendedor. Se você trabalha essa proximidade, passa a ler melhor as oportunidades.

Um guia prático para você executar

Se você quer aplicar a lógica do episódio sem romantizar o processo, este é um roteiro útil:

  1. Defina por que você vai entrar no marketplace: caixa, validação de produto, presença de marca ou combinação dos três.
  2. Escolha os canais que sua operação consegue integrar sem quebrar cadastro, estoque e atendimento.
  3. Cadastre e acompanhe todos os canais possíveis dentro dessa capacidade, em vez de apostar tudo num ranking fixo.
  4. Observe quais produtos performam melhor em cada canal e trate isso como insumo de decisão, não como curiosidade.
  5. Mantenha coerência de posicionamento entre marketplace e site para não ensinar o cliente a desconfiar da sua própria marca.
  6. Reinvista parte do resultado em fotos, criativos, influenciadoras, mídia e estrutura do site.
  7. Use o tráfego indireto gerado pelos marketplaces para fortalecer CRM e base própria.
  8. Crie rotina de relacionamento com os canais para entender demandas, lacunas e oportunidades de produto.

Esse roteiro não elimina erro. O próprio episódio mostra que a operação errou bastante antes de encontrar ajuste. O que ele faz é evitar que você entre no marketplace com uma expectativa infantil de “subir catálogo e esperar”.

O erro que mais destrói essa estratégia

O maior erro não é entrar em marketplace. O maior erro é entrar sem desenho de complementaridade.

Se você usa o canal só para desconto, tende a empobrecer percepção. Se usa só para queimar estoque, pode treinar o cliente a enxergar sua marca por um recorte ruim. Se entra sem aprender nada com os dados, perde a principal vantagem do canal no começo.

No episódio, a vantagem real apareceu porque marketplace foi tratado como parte do negócio. Ele ajudou a sustentar conta, a entender produto, a ganhar vitrine e a alimentar o crescimento do site próprio. Isso é bem diferente de usar o canal como um puxadinho improvisado.

O que você pode levar do caso

Thiago construiu a defesa dele em cima de operação, não de discurso. Quando diz que marketplace é essencial para muita empresa que está começando, ele não está dizendo que o site perdeu valor. Ele está dizendo que o site, sozinho, pode demorar demais para devolver caixa e aprendizado.

Se você encara marketplace como vitrine, caixa e laboratório, ele vira um acelerador. Se encara como inimigo do site, corre o risco de cortar uma das poucas alavancas que poderiam financiar a construção da sua marca com mais segurança.

No episódio, a lógica é clara: marketplace entra para ampliar estrutura, não para matar identidade. Quando você entende isso, os canais deixam de competir entre si e passam a trabalhar a favor da mesma empresa.

Perguntas frequentes

Marketplace precisa continuar depois que o site cresce?

No episódio, Thiago não trata marketplace como algo provisório que deve ser abandonado depois. A leitura dele é multicanal: o site continua importante, mas os marketplaces seguem como fonte de faturamento, visibilidade e aprendizado.

Dá para começar em marketplace com equipe pequena?

O relato sugere que sim, desde que você não confunda equipe pequena com operação desorganizada. O trabalho continua existindo, mas Thiago defende que o peso financeiro inicial tende a ser menor do que depender só de site e mídia própria.

Como saber se o marketplace está ajudando o site ou só desviando venda?

Você precisa observar coerência de posicionamento, evolução de base própria e a forma como o canal está financiando ativos do site. No episódio, a lógica positiva aparece quando o resultado do marketplace sustenta mídia, criativo, influenciadoras e outros investimentos que fortalecem a marca fora dele.

Da leitura à operação rodando

Tráfego pago, marketplaces, pagamentos e gestão de e-commerce — as quatro frentes dentro de um time só.

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