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Cases

De uma cidade de 20 mil habitantes a referência em móveis online

O episódio com a Aline mostra como a Panorama saiu de uma operação local, em Ibirama, para uma estrutura que se apresenta como o segundo maior e-commerce de móveis do Brasil. O ponto central não está em inspiração vaga. Está na combinação entre origem varejista, tecnologia própria, reinvestimento e criação de soluções internas para gargalos reais.

Por Equipe W38 min de leitura

Este texto nasceu do Ecommerce Podcast #2, com Aline Flores. Os números e casos citados abaixo são falas do episódio.

Se você olha para um e-commerce de móveis que nasceu em Ibirama, uma cidade de 20 mil habitantes, e hoje se apresenta como o segundo maior do Brasil no setor, a primeira reação costuma ser procurar uma explicação glamourosa. No episódio, a Aline oferece outra leitura. O crescimento não aparece como um golpe de sorte. Ele aparece como a soma de decisões repetidas em torno de varejo, tecnologia e reinvestimento.

O dado de origem já muda o enquadramento. A operação não nasceu em capital, não nasceu dentro de uma grande holding digital e não começou com uma prateleira pronta de ferramentas. Aline localiza a Eletrônica Panorama em 1995 e conta que, mais ou menos na mesma época, o pai adquiriu a Panorama Sistemas. A primeira empresa começou com conserto de eletrônicos e venda de eletrodomésticos. A segunda foi se desenvolvendo como ERP de indústria. Esse detalhe importa porque o case não surge de uma empresa de software tentando entrar no varejo. Surge de um grupo que conheceu primeiro a dor operacional.

A raiz do case está no varejo antes de estar no digital

Ao longo da conversa, fica claro que a visão de tecnologia do grupo não foi decorativa. Ela nasceu de convivência com operação física, fornecedor, margem, produto e logística. Quando Aline explica a história da família, você percebe que o repertório não foi construído em tese. Ele veio de loja, de fornecedor de móveis, de indústria e de sistema rodando para necessidade concreta.

Isso ajuda a entender por que o grupo fez uma virada relevante em 2010. Segundo ela, havia um impasse: abrir mais uma loja física ou entrar no e-commerce, que na fala do episódio ainda era “mato”. A imagem é boa porque resume o cenário descrito. As ferramentas eram caras, incompletas e, para montar uma operação, seria preciso juntar várias peças diferentes como se fosse um “Frankstein”, na grafia oral da convidada.

Esse trecho é valioso porque desmonta a narrativa confortável de que a empresa cresceu num mercado maduro. Não foi isso. A Panorama entrou quando faltava ferramenta, faltava capital para contratar tudo e faltava referência. Se você opera hoje, talvez tenha mais canais e mais software disponíveis. Ainda assim, a pergunta central continua parecida: você usa ferramenta para aliviar atrito real ou só para copiar a pilha de outra empresa?

O ponto de virada não foi escolher móveis; foi escolher construir

Aline explica que a guinada para móveis veio de uma oportunidade local no setor moveleiro. Mas o material do episódio sugere que isso, sozinho, não explicaria o crescimento. O que muda o case é a reação à falta de estrutura. Em vez de aceitar a fragmentação como estado permanente, o grupo começou a desenvolver ferramenta dentro de casa.

Essa lógica reaparece várias vezes na entrevista. Quando ela fala da plataforma, da logística, do chatbot e dos relatórios, o raciocínio é o mesmo: surgiu uma dor, a empresa decidiu resolver internamente. Isso vale para o software, vale para o atendimento, vale para a transportadora e vale até para testes físicos de embalagem.

Se você tenta extrair uma lição prática daqui, ela não é “construa tudo do zero”. Seria uma leitura simplista. A lição é mais dura: pare de tratar a dor recorrente como detalhe operacional se ela define sua margem, seu prazo ou sua capacidade de crescer. O case da Panorama mostra um grupo que transformou dor repetida em prioridade de produto.

Crescimento acelerado costuma premiar quem já estava pronto

Uma passagem importante do episódio é a que trata da pandemia. Aline diz que a empresa já estava estruturada e, por isso, cresceu em um ano o que imaginava crescer ao longo de uma década. Ela arredonda esse salto como “uns 500%”, então o percentual entra como aproximação, não como número fechado. Ainda assim, o ponto central é nítido: a explosão de demanda não cria competência; ela expõe quem já tinha base.

Esse pedaço da conversa serve como antídoto contra leituras superficiais de janela de mercado. Muita gente ouve cases de crescimento acelerado e imagina que a oportunidade foi a causa. No episódio, a oportunidade aparece mais como teste de estresse da estrutura prévia. A empresa já tinha site, já vendia em marketplace e já vinha construindo sistema próprio. Quando a demanda subiu, a restrição não foi canal. A restrição passou a ser insumo, como MDF e outros componentes citados por Aline.

Para você, a implicação é direta: oportunidade melhora resultado de quem já vinha eliminando gargalo. Quem ainda opera no improviso tende a sofrer justamente quando a venda acelera.

Reinvestimento não entra como virtude moral; entra como mecanismo de escala

Outro bloco forte do episódio trata de reinvestimento. Aline diz que o grupo reinveste 100% no negócio. Léo reforça a mesma linha de raciocínio ao criticar a vaidade de comprar carro ou apartamento cedo demais quando o caixa ainda está preso em ciclo de fornecedor, estoque e parcelamento.

Esse trecho é importante porque tira o assunto do campo motivacional. Reinvestimento, na conversa, não é discurso de austeridade. É uma engrenagem para sustentar crescimento. Se você trabalha em e-commerce, sabe que vender mais costuma exigir mais estoque, mais tecnologia, mais processo e mais gente. Em uma operação que escolheu construir soluções internas, isso fica ainda mais evidente.

O episódio também traz uma referência pública usada pelo host: 250 milhões por ano, com base em uma matéria da Exame citada durante a gravação. Mesmo que esse número apareça como referência externa mencionada em fala, o argumento interno do episódio não depende dele. O argumento é que uma empresa desse porte ainda se organiza com cabeça de reinvestimento, não com cabeça de retirada máxima.

Criar a própria logística foi resposta de operação, não capricho de marca

Talvez o sinal mais forte de maturidade do case esteja na decisão de criar uma empresa de logística. Aline conta que o grupo identificou logística como dor estrutural no setor moveleiro e decidiu abrir a própria transportadora. No momento da gravação, ela diz que essa empresa tinha dois anos e já transportava 800 toneladas por semana, equivalentes a 800 mil quilos de móveis.

Esse trecho é relevante por dois motivos. Primeiro, ele mostra que a empresa não trata logística como apêndice. Segundo, ele revela que a promessa de prazo e qualidade só se sustenta quando algum pedaço da cadeia deixa de ser caixa-preta. O episódio reforça isso quando fala de avaria, embalagem, prazo e satisfação do cliente.

Você não precisa concluir daqui que toda operação deveria montar transportadora. Isso seria absurdo. O aprendizado útil é outro: a empresa atacou o gargalo que mais ameaçava sua proposta de valor. Se o seu gargalo principal é frete, atendimento, cadastro ou prazo de faturamento, o case sugere que você pare de empurrar esse problema como se ele fosse secundário.

O produto da Panorama Sistemas só faz sentido porque nasce de uso próprio

No fechamento, Aline responde por que alguém deveria escolher a Panorama Sistemas. A justificativa dela é simples: a plataforma é validada, usada e testada pela própria empresa. Essa fala conecta todo o episódio. A tecnologia do grupo não é apresentada como algo desenhado para convencer em demonstração. Ela é apresentada como ferramenta criada para resolver a própria operação.

Essa distinção muda a leitura do case. Você não está diante de uma história sobre branding tecnológico. Está diante de uma história sobre uma operação que foi acumulando sistema porque o varejo exigia. O software vem depois da dor, não antes.

Se você tenta usar o episódio como lente de decisão, talvez a pergunta correta não seja “como virar uma Panorama?”. A pergunta melhor é: qual dor do seu negócio você já entendeu o suficiente para transformar em processo, ferramenta ou rotina estável? O case inteiro gira em torno disso.

O que este case deixa mais claro para quem opera e-commerce

Há quatro aprendizados que aparecem com muita força na fala da Aline.

  1. Origem pequena não é desculpa quando a operação conhece a própria dor.
  2. Crescimento forte favorece quem construiu base antes da onda.
  3. Reinvestimento serve para manter capacidade de execução, não só para “crescer por crescer”.
  4. Tecnologia só vira diferencial quando resolve atrito real de margem, prazo, atendimento e logística.

O valor do episódio está justamente em não romantizar nada disso. A entrevista fala de erro, fala de prejuízo, fala de caixa e fala de processo. Por isso o case fica mais útil do que histórias limpas demais. Você consegue olhar para a empresa não como mito, mas como operação que foi ganhando densidade porque escolheu enfrentar problema concreto.

Perguntas frequentes

O fato de a empresa vir de uma cidade pequena foi vantagem ou desvantagem?

No episódio, a cidade pequena aparece mais como contexto do que como vantagem competitiva em si. A vantagem veio da capacidade de construir solução própria mesmo longe dos grandes centros, não do tamanho da cidade.

O crescimento na pandemia explica sozinho o tamanho atual da operação?

Não. A própria Aline insiste que a empresa já estava estruturada antes da pandemia. A aceleração ampliou um trabalho que já vinha sendo feito, em vez de substituir esse trabalho.

O principal diferencial do case é tecnologia ou disciplina de gestão?

Os dois aparecem juntos o tempo todo. A tecnologia ganha destaque, mas ela só funciona porque está acoplada a reinvestimento, leitura de caixa, proximidade com fornecedor e decisão de atacar gargalos específicos.

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Tráfego pago, marketplaces, pagamentos e gestão de e-commerce — as quatro frentes dentro de um time só.

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